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Ribeira do Porto

integra-se no Centro Histórico do Porto

A Ribeira localiza-se na freguesia de S. Nicolau, junto ao Rio Douro, e integra-se no Centro Histórico do Porto. Dela fazem parte a Praça da Ribeira, popularmente conhecida por praça do cubo; a Rua da Fonte Taurina, uma das mais antigas da cidade; o Muro dos Bacalhoeiros e a Casa do Infante, onde plausivelmente terá nascido o Infante D. Henrique, em 1394. 

O núcleo original do Porto nasceu no cimo da Pena Ventosa, o actual Morro da Sé, expandindo-se também um aglomerado ribeirinho, nas imediações da confluência do pequeno Rio da Vila com o Rio Douro.  Vestígios arqueológicos documentam que, no período da romanização, se criaram instalações portuárias perto do local onde mais tarde se ergueu a Casa do Infante, cujos mosaicos romanos datam do século IV.

Depois de um franco desenvolvimento a que o Porto assistiu no século XIII , em que a urbe cresceu junto à margem ribeirinha incluindo o sopé da escarpa da Pena Ventosa surgiram dois polos de povoamento: um à cota alta, no morro da Pena Ventosa, em redor da sé, e outro à cota baixa, na Ribeira, ao longo da margem do Douro, ligados por uma malha urbana que se foi adensando. Desenvolveu-se casario, ruas, escadas e vielas, como por exemplo a Rua da Lada, e na margem direita do Rio da Vila o povoado cresceu pela beira-rio de São Nicolau, pela Rua da Reboleira e pela Rua dos Banhos, acabando por atingir o "arrabalde" de Miragaia. O eixo mais antigo que ligava estes dois núcleos seguia pela Rua de D. Hugo, pela Porta das Verdades (da Cerca Velha) e pelas Escadas do Barredo, seguindo o caminho mais curto, mas de declive muito acentuado. Desenvolveu-se mais tarde outro eixo de melhor acessibilidade constituído pelas Ruas dos Mercadores, Bainharia e Escura, ligando à Porta de São Sebastião.

Apesar de todas as transformações que o Porto, no seu todo, atravessou ao longo dos tempos e nomeadamente nos finais do século XVIII, a cidade manteve-se virada para o Douro, vivendo em função do rio, com o centro económico e social nas suas proximidades: Praça da Ribeira, Rua Nova dos Ingleses, Rua de São João e Largo de São Domingos.

A reorganização da estrutura urbana portuense no século XIX condicionada pela lógica das infra-estruturas de circulação, fez com que a Ribeira perdesse a importância e a dinâmica que adquirira até então. Com a construção da Ponte de D. Luís I em 1886, e com a novidade de um segundo tabuleiro à cota alta, a passagem pela Ribeira utilizando a ponte Pênsil, deixou de ser obrigatória. No núcleo antigo, na segunda metade de oitocentos, dá-se uma importante reorganização das vias de trânsito com a abertura de novas ruas, nomeadamente a Rua de Mouzinho da Silveira em 1872, novo eixo mais largo e rectilíneo ligando a Rua Nova dos Ingleses (Rua do Infante D. Henrique) ao Convento de São Bento da Avé-Maria.

No sec. XX e a partir de meados da década de 1970, por via das iniciativas desenvolvidas pelo Comissariado para a Renovação Urbana da Área de Ribeira/Barredo (CRUARB), pôs-se em prática um ambicioso plano de recuperação e revitalização da Ribeira do Porto. Esta actividade foi também decisiva para a apresentação da candidatura do Centro Histórico do Porto à UNESCO para classificação como Património Cultural da Humanidade, em 1991. Enquadrado nesta requalificação da Ribeira, abriram-se numerosos bares e restaurantes .Por ocasião do Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, foram remodelados o pavimento e o mobiliário urbano entre a Ponte D. Luís e o Cais da Estiva, segundo uma intervenção projectada pelo arquitecto Manuel Fernandes de Sá. A Ribeira é hoje e uma das zonas mais visitadas da cidade do Porto. 

 


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